
Ah! Que dor de cabeça terrível! Sempre atrasando a vida e deixando-a mais um pouco infeliz.
- Quero paz!
Dizia Penélope não tão alto na esperança de encontrar por alguém naquele mundo que costumava sempre estar, mesmo sabendo que era quase impossível que alguém a ouvisse!
- Hei, espere! - dizia a menina ao ouvir pequenos estalidas que pareciam sons de metais batendo em madeiras que iam se distanciando a cada segundo. - Espere enquanto posso te ouvir, seja lá o que for! Tenho algo a dizer!
- Ãhn... Tens algo a dizer?! - agora ouvia-se uma voz doce que sem muito esforço notava-se que era um pouco maltratada pelo tempo.
- A pedir.
Aos poucos ia se vendo entre a escuridão e a luz fraca que vinham de postes altos e tortos nas pontas, um senhor alto de barbas longas e alvas, vestes, que apesar do escuro via-se que não eram tão comuns, pareciam dar luz com o verde aveludado de sua capa e seu chapéu de ponta caída azul. Acompanhado ainda de um pequena bolsa de tecido amarrada na ponta por uma corda e pendurada em seu pescoço.
- Como chegou até aqui? - disse ele.
- Não convém! Preciso de ajuda!
- Parece triste menina! - Penélope apesar de seus dezessete, parecia ter envelhecido quatro anos nesses últimos dias. Finalmente seu corpo e rosto belo transmitiam sua loucura e tristeza interior. - O que anda acontecendo com você afinal?
- Preciso que diga onde posso encontrar a felicidade! E se o senhor tiver um pouco dele aí guardado, por favor, não negue-me um pedaço!
- Menina bonita, esperança é só o que tenho!
- Aceito isso também! - exclamou ela com um ar de felicidade nos olhos tristes. - Mas não tenho nada comigo onde possa guardá-las!
- Sem preocupar, comece a viver, mesmo e apesar de todas as circunstâncias! Nossas vidas podem se encontrar! - disse o velho bondoso sorrindo ao acrescentar: - Guarde-as no coração!
Essa monotonia de mesma coisa me perturba. E eu já nem sinto mais falta do que já tive, faz um bom tempo. Não estou mentindo dessa vez pra tentar me enganar. Nem se fosse por culpa desse pouco tempo que tenho tido para qualquer outra coisa sem muita necessidade. Até e porque se ainda tivesse importância seria mais que necessário. Ou talvez seja o tempo que me fez desinteressar. E chega um momento em que observo o quanto agia imbecilmente, mas sem precisar me arrepender, afinal, foi preciso agir assim para aprender a crescer. Ou talvez o próprio tempo nem queria que fosse assim. Enquanto hoje vou tentando sair daquela linguagem coloquial que costumava me adequar à ela cada vez mais por pura burrice e preguiça, uma linguagem culta me espera, me liberta e já se faz dentro de mim desde já! E nem o tempo mudará dessa vez.
